Big Little Lies

Guess who’s back??? Isso aí, dessa vez com uma coisa um pouco diferente, tivemos séries, tivemos filmes, tivemos broadway, agora temos: minissérie!!! Alguns podem até pensar que é a mesma coisa que série mas eu nego e ainda coloco que na verdade é mil vezes melhor. Muita gente reclama que séries são muito longas, você vê um episódio e depois não acaba nunca mais e tem só enrolação, ou que filmes são muito rápidos e algumas histórias merecem continuação, adivinhem: agora ninguém mais tem desculpa pra não assistir essa indicação, você pode pensar ou como uma série pequena ou um filme gigante e ser bem feliz assistindo. Talvez não sempre feliz levando em consideração o teor dessa minissérie em especial, mas com certeza sempre satisfeito.

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Big Little Lies é baseado no livro de mesmo nome da autora Liane Moriarty, e não, pelo amor de Deus, não é um Pretty Little Liars adulto. A narrativa se passa em uma cidadezinha na California e desenrola a história de 5 personagens em especial: Madeline, divorciada e mãe de duas filhas, uma do primeiro e outra do atual casamento; Jane, a forasteira, mãe solteira que aparece na cidade fugindo do seu passado e procurando uma vida melhor; Celeste, mãe de gêmeos, casada com um homem mais novo e com diversos problemas na relação; Bonnie, atual esposa do ex-marido de Madeline e mãe da segunda filha dele; e Renata, mãe de uma criança que sofre bullying na escola e extremamente ocupada com seus várias trabalhos. Apesar de viverem vidas bem diferentes essas personagens apresentam duas coisas em comum: são mulheres e são mães, e por esse motivo acabam entrelaçadas para sempre. O desenvolvimento das personagens é feito ao mesmo tempo que a investigação de um homicídio ocorrido em um evento de arrecadação de fundos para a creche das crianças, ou seja, você pega mulheres empoderadas, crianças fofíssimas e junta com problemáticas reais e um homicídio e a fórmula pra uma narrativa perfeita tá criada.

Tem tanta coisa boa nessa série que eu nem sei por onde começar então vou pela primeira coisa que vem na minha mente: TRILHA SONORA! Eu não tenho palavaras para descrever o quão maravilhosa é a trilha sonora dessa série, o que é um problema já que é exatamente pra isso que tô aqui, mas vou dizer só que a maior parte dos sentimentos sentidos nessa série tem a ver com tal música tocando em tal momento e fazendo com que tal cena ganhe uma profundidade ainda maior do que já teria, sem contar que começa a música de abertura e eu já tô gritando IN MY HEART IN THIS COLD HEART que hino.

Pós-trilha sonora creio que devemos falar sobre atuação: primeiramente, que elenco. Que. Elenco. Não nego que o que me chamou atenção a primeira vez que ouvi falar sobre a minissérie foram os fatores Nicole Kidman e Reese Witherspoon (amo né) mas acontece que TODO O CAST É SENSACIONAL! Nunca gostei muito da Shailene Woodley mas fui surpreendida até por ela. Se alguém no mundo nasceu para interpretar a rainha de Monterey, Madeline Martha Mckenzie, esse alguém se chama Reese Witherspoon, o fato de a personagem ser maravilhosa misturado com uma atuação extremamente divertida e sagaz de Reese faz com que todos queiram ser, ter ou ser a melhor amiga de Maddie, que mulher. Agora a outra rainha da série, ela mesma, a rainha do sofrimento, Celeste Wright aka Nicole Kidman, Moulin Rouge não é nada (mentira, é sim, meu nenê esse filme) comparado com o drama da vida de Celeste, não quero dar spoilers mas nesse caso fica difícil, só tenho duas palavras: relacionamento abusivo. Desde o começo podemos perceber que alguma coisa não está certa com Celeste, e que a fachada de seu casamento perfeito na verdade esconde uma história extremamente obscura. Nicole Kidman respira no papel de Celeste e eu choro, quero colocar ela num pote e proteger de todo o mal, uma personagem incrivelmente identificável que só quer ser livre porém luta com as dificuldades desse casamento que mais parece com uma prisão. Citei essas duas atrizes porque creio que tenham sido as que mais chamaram atenção (destaque também pro ator que interpreta o marido da Celeste, não é fácil odiar um ser humano maravilhoso desses mas o personagem é o diabo em pessoa, e para as crianças simplesmente por existirem) porém como dito anteriormente, todo o elenco é incrível eu tô só pelos próximos Emmy e Golden Globes pra ver esses rostinhos lindos serem reconhecidos.

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Fotografia e direção: aqui serei breve porque não sou nenhuma crítica de cinema ou televisão (mas queria) e porque é chato ficar elogiando tudo mas é que realmente… não tem como ser o contrário, as sequências de cenas em contrate com os elementos naturais da paisagem e do cenário constroem algo que é mais parecido com uma pintura do que qualquer outra coisa, quem conseguir assista na melhor qualidade possível porque é outra coisa importantíssima na construção das emoções passadas.

Acho que chegamos à parte mais importante da série: a temática. Feminismo, bullying, estupro, relacionamentos abusivos, relacionamentos em geral, seja materno ou matrimonial, TÁ TUDO AÍ. A verdade é que a última coisa que a série foca é o homicídio, e o desenvolvimento dos personagens e do contexto faz você até esquecer dessa parte até o final, mas se você não esquece e acha que os acontecimentos dos episódios não tem relação com nada assiste de novo, assiste melhor. Tá tudo ligado. A série retrata essas problemáticas de uma forma extremamente natural e reflexiva, fazendo com que você se identifique com todos os personagens em algum nível (menos o Perry por favor não se identifiquem com o Perry) e perceba quem nem tudo é o que parece ser, nenhuma vida é perfeita. E no final a maior mensagem a ser passada é a de união, especialmente a união entre mulheres, apesar de todas as suas diferenças, nos fazendo perceber que ninguém precisa passar por nada sozinha, porque você nunca está sozinha.

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A minissérie tem 7 episódios de 1 hora cada, é da HBO mas eu vi baixado mesmo porque não está na Netflix, e eu vi simultaneamente com a liberação dos episódios mas em um dia ou uma semana dá pra ver tudo e se apaixonar, sei que eu pretendo fazer isso de novo logo logo porque apesar das maravilhas de uma minissérie também existe agora o vazio dos domingos sem episódios novos. Então pra quem já viu e pra quem for ver (e eu imploro que vejam) VENHAM CONVERSAR COMIGO isso aqui foi um resumão de tudo mas ainda há muito mais pra se falar.

Hamilton (2015)

Já falei de filmes e já falei de séries, está na hora de falar sobre musicais, e para começar essa parte escolhi um bem revolucionário (literalmente rs): HAMILTON: AN AMERICAN MUSICAL!!!!!! As letras maiúsculas e os pontos de exclamação representam minha empolgação quando começo a falar de Hamilton porque tá aí uma das coisas mais geniais já criadas. Vamos começar com o enredo, o musical conta a história de Alexander Hamilton (aquele que amamos odiar e odiamos amar) um dos founding fathers dos Estados Unidos. Alexander era um órfão, imigrante, obcecado por escrever e fazer história que chegou aos EUA com 15 anos e a partir daí começou a irritar muita gente… ok essa parte não tá na descrição oficial mas é verdade. Chegando lá ele foi atrás de Aaron Burr (Sir) – que é um dos personagens que eu tenho mais confused feelings about – e acaba conhecendo Lafayette, John Laurens e Hercules Mulligan que assim como ele também desejam viver em uma nação livre da Inglaterra e do possessivo King George. Resumindo um pouco mais, Hamilton então conhece Eliza Schuyler e se casa, se torna o braço direito do futuro presidente George Washington, tem um filho chamado Phillip, luta na revolução americana e AMÉM eles conseguem a independência. Ah isso tudo só no primeiro ato. Até aí ele ainda faz as coisas meio certo mas no segundo ato começa a desandar, um dos detalhes mais importantes dessa história toda é que o cara literalmente escrevia tudo que acontecia na vida dele então na segunda parte acontece o seguinte: Hamilton tem um caso com Maria Reynolds e o marido dela descobre e começa a subornar ele, depois de um tempo Aaron Burr (Sir), James Maddison e Thomas Jefferson – alguns dos inimigos dele – desconfiam de uma parcela de dinheiro que andava sumindo e o acusaram de estar em um esquema de corrupção, porém, em vez de ele apenas negar, Hamilton publica no jornal um artigo de 95 (AHAM) páginas negando ser corrupto e admitindo explicitamente todo o caso com Maria Reynolds, e é assim que surge um dos primeiros sex-scandals da política americana, garantindo que Hamilton nunca se tornasse presidente. Como história é história eu vou dar spoiler mesmo e terminar essa sinopse dizendo que tudo só piora depois disso, o filho dele morre, Eliza queima (literalmente) todas as cartas que Alexander havia escrito a ela, praticamente se apagando da narrativa dele, e Aaron Burr (Sir), agora vice-presidente dos Estados Unidos, se irrita com ele a ponto de desafiá-lo para um duelo de armas (coisa que era comum na época, especialmente em New Jersey já que everything is legal in New Jersey) e é aí que Alexander é assassinado. Olha resumindo tudo acho que é isso.

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Passamos agora para Lin-Manuel Miranda, a mente brilhante por trás do musical: certo dia, de férias no México, Lin se encontra lendo a biografia de Alexander Hamilton escrita por Ron Chernow e é daí que veio a inspiração. A ideia surgiu em 2008 e até chegar na Broadway em agosto de 2015 percorreu um grande caminho. Em maio de 2009 a primeira música foi apresentada na Casa Branca, e desde lá Lin contou com o apoio de diversas personalidades, inclusive o Barak Obama. Um detalhe que ainda não mencionei é o fato de que além de se tratar de uma revolução, Hamilton em si revolucionou a Broadway por ser um musical que mistura hip-hop, rap, soul e r&b, por esse motivo em sua primeira apresentação na Casa Branca Lin brinca:

“Na verdade eu estou trabalhando em um album de hip-hop – um album conceitual – sobre a vida de alguém que encorpora o hip-hop… o ex-secretário do tesouro nacional Alexander Hamilton.”

A verdade é que no começo ninguém acreditava muito na ideia, e talvez se fosse outra pessoa não teria dado certo, mas a genialidade de Lin mistura uma história de séculos atrás com questões contemporâneas como o valor da mulher na sociedade, racismo, a questão dos imigrantes (they get the job done) e corrupção política e transforma em um narrativa mais atual do que imaginado, e por isso se tornou um fenômeno tão grande.

Agora falarei sobre alguns tópicos específicos que na minha opinião merecem destaque:

  • Eliza: apesar do título da obra e da narrativa dela ser em volta de Alexander Hamilton, a verdadeira estrela do show não é ele (na verdade ele irrita a maior parte do tempo), e sim Eliza. Elizabeth Schuyler se apaixona logo de primeira por Alexander, porém mal sabia ela que se casaria com alguém mais obcecado por morrer um mártir do que com a própria vida – várias vezes Hamilton canta sobre pensar tanto sobre a morte que mais parece a ele como uma memória. Não se enganem, ele era sim apaixonado por ela, porém não era seu foco. Na época o divórcio não era muito aceito na sociedade, por isso depois de Alexander a negligenciar, trair, e incentivar o filho deles a um duelo que causou sua morte, Eliza acaba por queimar todas as cartas que havia recebido do marido, antes e depois do casamento, e praticamente se apaga da sua história, mas ainda assim permanece ao seu lado como mulher e depois de um tempo acaba o perdoando. Um fato interessante é que apesar de na época o homem ser considerado o líder de uma família, não é isso que transparece no musical, Eliza sempre trata Hamilton como sendo “seu” e tem mais poder sobre ele do que o contrário, mostrando-se a verdadeira chefe da família. Porém é no final, mais especificamente na última música que Eliza se torna a verdadeira heroína: após a morte de Alexander,  ela se coloca de volta na narrativa, entrevista todo os soldados que lutaram ao lado dele e conta suas histórias, arrecada fundos em D.C. para o Washington Monument e o mais incrível de tudo, Eliza cria o primeiro orfanato em New York (lembrem-se que Hamilton era órfão) e ajuda a criar centenas de crianças, mantendo assim o tão desejado legado de seu marido, e o dela.

    “E por igualar as narrativas de Eliza às de Alexander, ele (Lin-Manuel Miranda) reconhece as mulheres que ajudaram a construir o país ao lado dos homens. Você acaba se perguntando se o “Hamilton”do título se refere apenas a Alexander ou a Eliza também.”

     

  • Schuyler Sisters (e Angelica/Hamilton): se vocês acham que Eliza é a única mulher empoderada do musical pense de novo. Angelica, Eliza and Peggy WORK eram filhas de Phillip Schuyler, que foi senador de New York e general na Revolução Americana, e ah, possuía muito dinheiro e status, o que tornava suas herdeiras muito atraentes aos homens. Na música cantada pelas três irmãs (The Schuyler Sisters), Angelica (minha personagem favorita) conversa com Aaron Burr e diz o seguinte:

    “Tenho lido Common Sense de Thomas Paine, então homens pensam que sou intensa ou insana. Você quer uma revolução? Eu quero uma revelação, então escute minha declaração: ‘Nós consideramos essas verdades como auto-evidentes, que todos os homens são criados iguais’* então quando conhecer Thomas Jefferson vou convencê-lo a incluir mulheres na continuação.”                                                                                                                                                                           *essa frase foi escrita por Thomas Jefferson e está na Declaração de Independência.

    Durante o musical inteiro, além de mostrá-las como bem instruídas e por dentro da situação política nacional, as Schuyler Sisters representam também a pequena parte da sociedade que se considerava feminista durante o período. Focando mais especificamente em Angelica vem uma das partes mais loucas do musical: a personagem é também apaixonada por Hamilton (olha o mel do cara). Na realidade Alexander conhece Angelica primeiro e os dois entram em uma conversa sobre qual dos dois é menos satisfeito (vai entender) e percebe-se que alguma coisa está surgindo ali, porém, ela percebe que Eliza, sua irmã, também se apaixona por ele e acaba apresentando os dois e ficando de lado, pois sempre dizia “eu escolheria a felicidade dela em vez da minha todas as vezes”. Angelica pode ser considerada a mais leal das personagens, depois de se casar e se mudar para a Inglaterra, mantém contato com a irmã e o cunhado por cartas e se mostra uma verdadeira amiga, porém o teor das cartas com Alexander mostram que os sentimentos que possuía por ele não haviam diminuído, e que talvez ele também sentisse algo por ela. Até certo ponto Angelica considera ela mesma igual a Hamilton: impossível de se satisfazer, porém, a partir do momento da traição ela volta aos Estados Unidos e admite (em uma música que foi, infelizmente, cortada do musical) que estava em um casamento sem amor e vivia pelas cartas dele, porém estava de volta e ele não era a causa disso, nesse momento ela o pede para colocar tudo que tiveram de lado e pela primeira vez fala “Você nunca estará satisfeito” sem se comparar a Alexander. Apesar de tudo, no final, ao lado de Eliza, Angelica ajuda a contar a história de Hamilton, e quando morre é enterrada ao seu lado.

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  • King George e suas músicas: algumas das músicas mais geniais do musical são cantadas pelo do Rei da Inglaterra, o personagem é retratado de maneira cômica porém tirânica, e as analogias das músicas dão a impressão de que ele fala com uma pessoa (a primeira vez que que escutei e não conhecia a história achei que ele falava com uma mulher ou algo do tipo) quando na verdade se trata de uma nação inteira. Em You’ll Be Back por exemplo,  ele manda uma mensagem ao povo americano que lutava por independência dizendo que achava que eles possuíam um contrato e que no final eles acabariam cedendo, até porque se chegasse a certo ponto, ele mataria seus amigos e famílias…. para lembrá-los de seu amor. Em What Comes Next, já depois de os EUA terem alcançado a liberdade, ele pergunta o que vem agora, se os americanos acham que sobreviver sozinhos é fácil e ainda declara ao novo governo independente que quando o povo se rebelar e disser que os odeiam, não corram de volta para ele. Já I Know Him vem logo depois que o primeiro presidente americano, George Washington, renuncia o posto e King George é avisado que John Adams será o próximo, nessa última música ele reflete sobre o fato de eles trocarem de presidente e diz que não sabia que isso podia acontecer, ainda fala que perto de Washington todos os outros são pequenos, então será engraçado assistir à população destruir John Adams. As três músicas possuem a mesma melodia mas cada uma mostra uma faceta diferente desse rei tão excêntrico, e quem as interpreta no CD é o primeiro ator que fez o papel na Broadway: Jonathan Groff, talvez alguém o reconheça como o Jessie de Glee.

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  • Troca de atores: eu sempre considerei ser ator ou atriz de teatro musical uma das profissões mais difíceis pois é preciso decorar uma peça inteira, todas as músicas, coreografias e falas e apresentá-las ao vivo sem ajuda nenhuma. Aí conheci Hamilton e cheguei à conclusão de que podia ser pior. Se vocês acham fazer um papel difícil, pensem só os atores de Hamilton que tem que fazer dois, é isso mesmo, durante a peça os atores que interpretam John Laurens, Lafayette, Hercules Mulligan e Peggy Schuyler durante o primeiro ato trocam de papel para o segundo, transformando-se em Phillip Hamilton, Thomas Jefferson, James Madison e Maria Reynolds, respectivamente. Essa troca é tão bem formulada que na verdade parecem realmente pessoas diferentes, e para aumentar ainda mais a genialidade da coisa, durante a primeira música os personagens contam a história de Alexander Hamilton e dizem que parte tiveram nessa narrativa, primeiramente Lafayette/Jefferson e Mulligan/Madison dizem que lutaram com ele o que tem duplo significado já que Lafayette e Mullingan lutaram ao lado de Hamilton durante a revolução enquanto Jefferson e Madison lutaram contra ele no segundo ato. Já Laurens/Phillip diz que morreu por ele, sendo que Laurens morreu na revolução e Phillip em um duelo que aceitou para defender a honra do pai. As Schuyler Sisters por sua vez contam que o amaram, porém Peggy não se encaixaria nessa categoria se não fosse o fato de que a atriz interpreta no segundo ato Maria Reynolds, a amante de Alexander. E esse é apenas um dos fatos pelos quais Hamilton é considerado uma obra de gênio.

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  • Influência: o musical obteve um reconhecido maior do que o imaginado, o que o levou a alcançar o recorde de 16 indicação ao Tony (que é o Oscar da Broadway) e levou para casa 11 prêmios e se tornou referência para diversas pessoas. Uma coisa que sinto ser importante de mencionar é que o elenco de Hamilton é um dos mais diversos já existente, isso se dá pelo fato de que ao procurarem atores para os papéis, os produtores focaram em pessoas “non-white“, o que gerou algumas críticas que por sua vez não mudaram o conceito dos produtores de continuar com um elenco multi-racial e diverso. Além disso, os atores do musical estão constantemente engajados em questões políticas, um dos fatos mais marcantes acontecem em 2016, quando o Vice-Presidente eleito, Mike Pence, compareceu a um dos shows e o ator Brandon Dixon, que faz agora o papel de Aaron Burr, dirigiu a palavra a ele no final da peça dizendo o seguinte:

    “Nós, senhor, somos a América diversa, que está alarmada e ansiosa que sua nova administração não proteja nosso planeta, nossos filhos, nossos pais, ou não nos defenda ou mantenha nossos direitos inalienáveis. Nós realmente esperamos que este espetáculo tenha inspirado o senhor a manter nossos valores americanos e a trabalhar em nome de todos nós. Todos nós”

Acho que ficou um pouco claro que sou meio obcecada por Hamilton, e não espero que todos sejam, porém acredito que apesar de nem todos curtirem musicais vale a pena dar uma chance a uma das maiores obras de arte contemporâneas. Sim, são muitas músicas pois assim como Alexander Hamilton, Lin-Manuel Miranda também escreve como se seu tempo estivesse acabando, mas peço que tentem pois são músicas como quaisquer outras que se escuta no rádio, na verdade mil vezes mais inteligentes que algumas, o fato de fazerem parte de um musical não as torna chatas. Pra quem achar que não vai gostar das musicas originais da Broadway recomendo a Hamilton Mixtape, um CD que conta com cantores como Sia, John Legend, Wiz Khalifa, Kelly Clarkson, Alicia Keys e Usher interpretando algumas das músicas do musical. Vou deixar aqui os links pra quem quiser escutar as músicas e quem gostar e quiser assistir pode vir falar comigo que a gente dá um jeito ;).

LINK ORIGINAL BROADWAY CAST RECORDING

LINK HAMILTON MIXTAPE

Hidden Figures (2016)

Existem filmes baseados em histórias reais e existem filmes baseados em histórias que mudaram o mundo e continuam a mudar, Hidden Figures se encaixa na segunda categoria. Apesar de ter sido escondido por muito tempo, durante a Guerra Fria, um período onde o racismo nos Estados Unidos era absurdo, havia uma grupo de mulheres (sim) afro-americanas (SIM) trabalhando na NASA realizando diversos cálculos que serviram para levar o primeiro americano ao espaço.

O filme foca em três dessas mulheres: Katherine G. Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, cada uma com suas especialidades, e que eram consideradas “computadores humanos” por suas habilidades, que apesar de sua extrema importância, continuaram escondidas até agora. A realidade da época mostrada em fatos simples mas que faziam grande diferença, como existirem locais “apenas para brancos” e “apenas para negros”, haver apenas uma sala minúscula do outro lado com campus onde todas deveriam trabalhar, a questão de que ninguém levava a sério ou reconhecia o trabalho de uma mulher negra, nem mesmo outras mulheres, retrataram o período de forma muito realista. Apesar de todas as dificuldades enfrentadas, cada uma dessas mulheres corre atrás de seus objetivos e faz acontecer, seja o objetivo se tornar útil para não ser substituída por uma máquina, entrar em uma universidade e se tornar engenheira ou levar um homem ao espaço e trazê-lo de volta ao mesmo tempo em que é mãe solteira de três filhas.Além da questão racial, a história dessas três mulheres ultrapassa diversas barreiras de gênero, que existiam até mesmo na comunidade afro-americana onde os maridos ou pretendentes não entendiam o esforço para se tornar algo que não poderiam ser. Mas a força de vontade de cada uma as permite alcançar lugares que elas mesmas nunca imaginaram.

Além da história revolucionária, um fator essencial para o reconhecimento do filme é o elenco principal, Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe possuem um carisma espetacular que faz com que os que assistem se identifiquem já nos primeiros minutos e se apaixonem pelas três. Preciso falar mais especificamente sobre Taraji, já que o motivo principal pelo qual eu ansiava por Hidden Figures (antes de ler a sinopse), era ver minha Cookie Lyon (Empire) nas telonas novamente. Taraji, que interpreta Katherine possui diversas cenas que chamam a atenção, mas uma em especial que me marcou profundamente (caso assistam vocês identificarão qual é). Apesar de ser um papel que não exigia mudanças drásticas, a atriz faz com que você se sinta naquela situação de humilhação em que vivia e sentir cada coisinha, fiquei indignada sim que não recebeu indicação ao Oscar.

Mas ainda assim depois da estreia internacional Hidden Figures foi recebendo cada vez mais força e conseguiu três indicações ao Oscar: Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer), Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Filme, além de ter ganho o Screen Actors Guild Awards de Melhor Elenco. O filme estreou hoje no Brasil, e eu recomendo a todos que desejam saber um pouco mais sobre essas figuras escondidas que compareçam ao cinema e apreciem uma das melhores histórias já contadas.

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The Americans (2013)

Continuando a escrever sobre as séries dessas férias chegamos a The Americans, que entrou na lista das melhores séries que assisto/já assisti. Você vê o nome e pensa “mais uma dessas que conta a vida de um casalzinho de americanos vivendo no subúrbio de Washington com seus dois filhos e sua agência de viagens…..” ok, tá, é isso mesmo, PORÉM adicionando o detalhe de que o casal na verdade são espiões da KGB infiltrados nos EUA durante a Guerra Fria. Não dá pra chamar de clichê agora.

A série tem basicamente três focos: a vida de Elizabeth e Phillip Jennings (o casal espião) com seus dois filhos Paige e Henry; a correria na embaixada russa de Washington, onde as ordens chegam e muitas decisões são tomadas; e o trabalho de Stan, um agente do FBI. Só que a narrativa começa a ficar interessante quando, já no primeiro episódio, todas essas histórias se entrelaçam pois (acompanhem essa parte por favor): Stan  é transferido de unidades do FBI e se muda para a casa em frente a dos Jennings, ao mesmo tempo começa a investigar Nina, que trabalha na embaixada russa, e chantageá-la para obter informações, aí no meio disso tudo Phillip e Elizabeth precisam conciliar seu casamento, seus filhos (que sabem ser um pé no saco), a agência de viagens E O TRABALHO DE ESPIÕES. E é aí que o negócio fica interessante.

Apesar de toda a narrativa complexa que a série possui, o que mais chama atenção pra quem assiste The Americans é a relação entre o casal. Desde o começo fica muito claro o contraste de ideais existente entre os dois: Elizabeth mesmo depois de mais de 15 anos vivendo nos Estado Unidos permanece fiel à sua pátria e ao seu trabalho, por outro lado é agoniante ver Phillip lutar contra o apego que começou a ter pela nova nação e duvidar do porquê tudo o que conhecia e fazia era daquele jeito. Ainda assim, é maravilhoso demais ver como esses dois, que foram colocados em um quarto, obrigados a se casarem e se mudarem para outro país, vão crescendo durante os episódios e começam realmente a verem um ao outro como sua família.

O roteiro é extremamente bem escrito e, apesar de parecer pouco provável que uma série americana faça isso, mostra os dois lados da moeda, além disso, por se passar nos anos 80, durante o governo de Ronald Reagan, a caracterização do cenário e dos figurinos é muito bem feita e outra característica que eu considero muito legal é o fato de que na maior parte do tempo os russos da embaixada se comunicam realmente em russo, tendo a legenda em inglês. Porém, assim como em The Crown, o que mais chama a atenção em The Americans são as atuações, principalmente da família Jennings mas mais especificamente ainda a de Keri Russell que interpreta Elizabeth. Pra quem for assistir já digo que: melhor personagem. Porém não são poucos os momento em que se pensa “Gente mas como é possível? Essa mulher não tem coração.” ELA TEM SIM! Elizabeth é claramente a chefe da família, mas isso não a impede de ser também uma ótima espiã e a forma com que a personagem lida com tudo pode muitas vezes dar a impressão de que ela é fria e sem sentimentos, mas as cenas em que ela aparece vulnerável mostram que mesmo acreditando no que faz, não é feliz o fazendo, e nesse quesito Keri Russell rouba a cena de praticamente todo episódio. Já Matthew Rhys, intérprete de Phillip, pode ser considerado o cara legal, o pai legal, o amigo legal (gente ele vira bff do Stan, o cara do FBI, pra vocês terem uma noção) e fica claro sua devoção à Elizabeth e à sua família, talvez acima ainda do trabalho. O bom dessa série é que ao contrário de alguns filmes e outros seriados, o trabalho de espião não é apresentado como algo legal, dá pra ver que os dois odeiam aquilo e muitas vezes não suportam algumas ações que devem tomar, mas colocam o dever em primeiro lugar.

Terminando eu quero dizer ASSISTAM THE AMERICANS! É uma das melhores séries da atualidade e não possui o merecido reconhecimento, tanto que pouca gente deve saber mas a Netflix possui as 3 primeiras temporadas e logo deve adicionar a quarta pois em março estreia nos Estados Unidos a quinta e penúltima temporada. E uma curiosidade que eu AMO porque é meu conforto quando as coisas dão errado pra esse casal que eu amo tanto: Keri Russell e Matthew Rhys são um casal de verdade fora da série e eu acho isso demais, seria só isso mesmo.

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The Crown (2016)

Antes mesmo de entrar de férias eu já comecei a criar uma lista de séries para ver nos quase três meses sem fazer nada (eu gosto de listas, eu gosto de séries), quero falar sobre todas que consegui ver porém vou começar por The Crown pois foi a que mais me impressionou, seguida por The Americans.

Então vamos lá com The Crown, acho que o mais me chocou foi o fato de criarem uma série sobre alguém que ainda vive, sou acostumada a filmes e séries históricas que tratam de personagens que viveram e morreram faz muito tempo, mas o fato de a Rainha Elizabeth ainda estar viva me marcou durante todos os episódios, eu não consegui parar de me perguntar “Gente será que essa mulher tá assistindo isso???”, eu espero que sim. A série retrata a ascendência da Rainha Elizabeth ao trono com apenas 25 anos após a morte de seu pai George VI . Uma das questões mais importantes e mais bem retratadas pela atriz Claire Foy (vencedora do Globo de Ouro por Melhor Atriz em Série de Drama) é a relação de Elizabeth com os homens de sua vida: a memória do pai; a pressão e influência do parlamento inglês em suas decisões e também em sua vida pessoal, representada principalmente por Winston Churchill; e o seu casamento com o Príncipe Phillip, que por sua vez não parecia aceitar muito bem o fato de que sua mulher era também sua soberana.

Apesar de mostrarem a força e determinação da rainha, os roteiristas fizeram um ótimo trabalho em retratar o fato de que Elizabeth não tinha ninguém. Ela era a rainha, vivia em um palácio rodeado de gente, tinha uma família, um marido, filhos, mas é uma das personagens mais solitárias de todas as séries que eu já assisti, em diversas cenas podemos vê-la lutando com sua própria consciência devido a algumas questões sem ninguém para consultar e compartilhar esse fardo. Algumas ações tomadas por ela em alguns episódios causam certos sentimentos conflituosos, mas é impossível dizer que não era o que ela sentia que deveria fazer, Elizabeth tomava suas decisões e não permitia que ficassem em seu caminho.

Já ouvi muita gente falar que começou The Crown mas achou monótono, claro, uma hora de episódio, diálogos longos, episódios parados, mas uma história contada de maneira impecável. As atuações são dignas de estatuetas, principalmente a de Claire e a de John Lithgow, intérprete de Winston Churchill. Para aqueles que começaram e desistiram eu só posso pedir que voltem atrás nessa decisão e garantir que no final não se arrependerão. Por ser a série mais cara já produzida pela neflix, conta com cenários maravilhosos, assim como uma ótima direção, possui também ótimos momentos mas atinge seu ápice no episódio 8, que em minha opinião pode ser considerado o melhor de todos, então hang on there, a partir do momento em que a audiência se conecta com uma das rainhas mais amadas da Inglaterra os 10 episódios passam incrivelmente rápido.

La La Land (2016)

Como meu primeiro post achei legal falar sobre o filme que me fez ter vontade de escrever sobre e criar esse blog. Quem me conhece já deve ter percebido que ando um pouco obcecada por La La Land ultimamente, e aqui está o porquê. Como uma pessoa acostumada a assistir premiações as vezes acabo me decepcionando com filmes que ganham muitos prêmios e muito reconhecimento da mídia mas não possuem atrativos para o público que esta assistindo, quando vi que esse ano o grande concorrente era um musical minhas expectativas foram lá em cima, mas o medo de me decepcionar também era grande. Antes mesmo de estrear eu já tinha todas as musicas decoradas e até partes das coreografias mas a verdade é que a história continuava um mistério para mim, e o resultado não poderia ter sido melhor. Apesar de ser um musical e eu saber que esse gênero não agrada a todos eu preciso dizer para esquecerem esse detalhe e aproveitarem essa obra prima que trata de algo muito mais profundo. 

A história se passa em Los Angeles e retrata um pianista de jazz e uma aspirante a atriz com seus respectivos sonhos tentando se encontrar. Parece distante da realidade mas a verdade é que não é, eu acho triste como é comum encontrar jovens dispostos a desistirem de seus sonhos (não importa se é ser atriz ou professora ou diplomata ou o que quer que seja) por causa do que outros pensam. La La Land pode ser uma história de amor, mas ao meu ver é uma história de duas pessoas se ajudando a encontrar elas mesmas em um mundo onde muitas vezes isso é considerado errado e sem sentido. 

Não posso deixar de falar sobre a atuação de dois dos atores que eu considero subestimados hoje em dia, Emma Stone e Ryan Gosling transmitem diversas emoções e conduzem essa narrativa de forma nada menos que brilhante. Direção, roteiro, trilha sonora, figurino, coreografia, La La Land merece todos os prêmios que ganhou até agora e ainda vai ganhar. Termino essa recomendação citando Audition, uma das músicas do filme, com certeza a mais simples, porém a que mais me tocou “Here’s to the ones who dream, foolish as they may seem, here’s to the hearts that ache and here’s to the mess we make.”